

O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) determinou nesta quinta-feira (15) o afastamento de Ednaldo Rodrigues da presidência da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), por suspeita de falsificação da assinatura do ex-presidente interino Coronel Nunes em um acordo que validou sua eleição em 2022. A decisão, tomada pelo desembargador Gabriel de Oliveira Zefiro, nomeia o vice-presidente Fernando Sarney como interventor e determina a convocação imediata de novas eleições.
A denúncia de falsificação foi protocolada após perícia solicitada pelo vereador Marcos Dias (Podemos-RJ), apontando que a assinatura de Nunes no documento que firmava um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) junto ao Ministério Público em 2022 não seria autêntica. A perícia feita por Jacqueline Tirotti concluiu que “não se pode identificar o punho periciado como sendo de Antônio Carlos Nunes de Lima”, ex-presidente interino da entidade.
A decisão marca mais um capítulo de um longo processo judicial iniciado em 2018, quando o Ministério Público questionou o formato da eleição da CBF. As regras então alteradas davam peso triplo aos votos das federações estaduais, peso duplo aos clubes da Série A e peso simples aos da Série B — medida considerada ilegal por não incluir os clubes na assembleia deliberativa.
Nos anos seguintes, decisões judiciais resultaram em múltiplas trocas de comando na CBF. Ednaldo Rodrigues assumiu interinamente em 2021 após a queda de Rogério Caboclo por denúncias de assédio. Em março de 2022, já como candidato único, foi eleito presidente da entidade em um pleito realizado com base nas regras contestadas. Após uma decisão do TJ-RJ em dezembro de 2023 que anulava o TAC, ele foi reconduzido ao cargo em 2024 por liminar do ministro Gilmar Mendes, do STF.
Entretanto, o novo episódio envolvendo suposta falsificação de assinatura reacendeu as disputas judiciais. O STF negou pedidos para suspender os efeitos da perícia, mas determinou ao TJ-RJ apuração urgente das suspeitas. Paralelamente, ao menos três CPIs foram propostas no Congresso para investigar Ednaldo Rodrigues e sua gestão.
Horas após o afastamento, dirigentes de 19 das 27 federações estaduais assinaram um manifesto defendendo o fim da “judicialização e instabilidade” da entidade e o início de um novo ciclo no futebol brasileiro. No documento, os dirigentes se comprometem a lançar uma chapa para disputar as novas eleições, prometendo uma gestão “mais democrática, integrada e aberta à participação de todos”.
Apesar das investigações, Ednaldo ainda contava com o apoio da maioria dos clubes da Série A, que viam nele o compromisso de permitir que os próprios clubes comandassem o Brasileirão a partir de 2027. Agora, com a movimentação das federações estaduais, o cenário político na entidade sofre nova reviravolta.
A crise na CBF, marcada por disputas políticas, suspeitas judiciais e intervenção do Judiciário, entra em nova fase com o afastamento de Ednaldo Rodrigues e a nomeação de Fernando Sarney como interventor. A expectativa agora é pela convocação de novas eleições que possam, finalmente, encerrar anos de instabilidade na entidade máxima do futebol brasileiro. O manifesto das federações aponta para uma possível reconstrução, mas os próximos capítulos ainda prometem tensão entre clubes, federações e os bastidores do poder esportivo no país.