

O Internacional está fora da Copa do Brasil. Na noite desta quarta-feira, o time colorado empatou em 1 a 1 com o Fluminense, no Estádio do Maracanã, resultado insuficiente após a derrota por 2 a 1 no jogo de ida, no Beira-Rio. Alan Patrick marcou para o Inter, enquanto Canobbio fez para o time carioca. Com o placar agregado de 3 a 2, o Tricolor das Laranjeiras avançou às quartas de final, e o Colorado acumulou mais uma frustração em mata-matas nacionais.
A eliminação não surpreendeu os torcedores mais atentos. O desempenho do time gaúcho foi mais uma repetição de erros já conhecidos: esquema tático engessado, falta de agressividade ofensiva, falhas defensivas e pouca ousadia do treinador. A insistência de Roger Machado no esquema 4-2-3-1, mesmo após sinais claros de esgotamento da proposta, foi novamente determinante.
O Inter começou o jogo com uma postura retraída, distante da necessidade de vencer. No primeiro tempo, não finalizou sequer uma vez ao gol adversário, enquanto via o Fluminense controlar a posse e rondar a área de Rochet. As dificuldades aumentaram ainda mais quando, aos 24 minutos, Richard precisou deixar o campo após um choque de cabeça com Everaldo. Pouco depois, foi a vez de Gabriel Mercado sair com dores na panturrilha. Para fechar o pacote de problemas físicos, Carbonero não voltou para a etapa final por conta de dores musculares.
Na tentativa de reorganizar o time, Roger acionou Ronaldo para o lugar de Richard. Foi aí que o desastre se concretizou. Logo no primeiro minuto da etapa final, o volante colorado errou na saída de bola ao tentar um passe para Vitão, perdeu no corpo para Everaldo e viu Canobbio aproveitar a sobra para abrir o placar.
O gol escancarou o nervosismo colorado. Ronaldo, visivelmente abatido, foi substituído aos 12 minutos e, ao sair, desferiu socos no banco de reservas, cena que viralizou nas redes sociais como símbolo da desorganização e tensão no ambiente colorado.
O Internacional conseguiu empatar aos 30 minutos da segunda etapa, quando Alan Patrick converteu pênalti em duas tentativas. A primeira cobrança foi anulada pela arbitragem, que identificou adiantamento do goleiro Fábio. Na segunda batida, o camisa 10 não desperdiçou.
Mas o gol não animou o time, nem mudou o panorama do jogo. O Fluminense passou a administrar o resultado com inteligência e experiência. O Inter, desorganizado, nervoso e sem variações ofensivas, abusava dos cruzamentos sem direção e das ligações diretas improdutivas.
A queda nas oitavas de final da Copa do Brasil marca a 12ª eliminação do Inter em 14 torneios mata-mata desde 2021, ano em que Alessandro Barcellos assumiu a presidência. A estatística fala por si. A gestão colorada coleciona más escolhas, desde a demora por reforços até contratações pouco efetivas. Alan Rodríguez, por exemplo, recém-chegado, não foi inscrito a tempo de disputar a Copa. Já Kaique Rocha, Ramon e Diego Rosa — contratados no início do ano — já deixaram o clube.
O próprio treinador, Roger Machado, foi bancado pela direção mesmo após a derrota para o São Paulo no último fim de semana. A aposta se revelou equivocada. O Inter chega agora ao quarto jogo consecutivo sem vencer — são dois empates e duas derrotas — e estaciona na 13ª posição do Campeonato Brasileiro, com 21 pontos, 16 atrás do líder Flamengo. A equipe sofreu sete gols nos últimos cinco jogos, média de 1,4 por partida.
Além disso, a torcida perde cada vez mais a paciência. As vaias no Beira-Rio se transformaram em protestos nas redes sociais. A hashtag #ForaRoger voltou aos assuntos mais comentados no X (antigo Twitter) na noite desta quarta, logo após o apito final.
O destino, no entanto, parece gostar de ironias. O próximo confronto do Internacional nas oitavas de final da Copa Libertadores será justamente contra o Fluminense, o mesmo adversário que selou sua eliminação na Copa do Brasil. Antes disso, o Inter viaja a Bragança Paulista para encarar o Red Bull Bragantino no sábado (9), às 18h30, encerrando o primeiro turno do Brasileirão.
A pressão sobre o trabalho de Roger é insustentável, mas, por enquanto, ele segue respaldado pela direção. O discurso é de confiança. Mas o campo diz outra coisa. O torcedor, calejado, começa a olhar para o restante da temporada com mais medo do que esperança.