

O Internacional voltou da pausa da Data-Fifa sem mostrar evolução. Após 12 dias de treinos, a equipe de Roger Machado foi atropelada pelo Palmeiras no Allianz Parque, na noite deste sábado (13). O placar de 4 a 1 reflete parte do que foi o duelo: o Colorado não resistiu ao início avassalador do rival e levou quatro gols apenas no primeiro tempo.
O resultado manteve o Inter na 10ª colocação, mas prestes a perder posição com a sequência da rodada. A pressão sobre Roger Machado cresceu ainda mais — e o clássico Gre-Nal do próximo domingo pode definir o futuro do treinador.
Logo aos 3 minutos, a defesa colorada se desorganizou após jogada de bola parada. Felipe Anderson encontrou Vitor Roque livre, que abriu o placar. A estratégia montada por Roger durante a pausa ruiu ali. Aos 23, foi novamente Roque quem aproveitou passe de Flaco López para ampliar.
Três minutos depois, Lucas Evangelista fez o terceiro após rebote de Rochet em chute de média distância. Aos 42, Vitor Roque completou seu hat-trick de cabeça, em nova falha da defesa gaúcha. Quatro pancadas ainda no primeiro tempo. “Se fosse boxe, o árbitro teria encerrado a luta”, desabafou um torcedor nas redes sociais.
O Inter, por sua vez, produziu quase nada ofensivamente. Weverton fez apenas uma defesa em todo o primeiro tempo, em chute de fora da área. Foram menos finalizações do que faltas cometidas: só cinco. “Não encontrávamos o adversário nem para parar no corpo”, comentou outro colorado indignado.
Na volta do intervalo, Roger mudou o esquema, apostou em três zagueiros e promoveu as entradas de Alan Benítez e do garoto Raykkonen. O objetivo era conter o ímpeto palmeirense e evitar um vexame ainda maior.
O Verdão, já pensando na Libertadores, diminuiu o ritmo, mas ainda manteve posse de bola e chegou com frequência. A torcida paulista só puxou o tradicional “olé” aos 19 minutos, gesto de respeito ao adversário fragilizado.
O gol de honra do Inter saiu aos 26, com Carbonero, que arrancou em velocidade e chutou firme. O colombiano, no entanto, ainda discutiu com Vitão logo após o lance. E foi só. Se tivesse que sair mais um gol, seria do Palmeiras.
A goleada escancarou a crise. O técnico Roger Machado admitiu que a estratégia de duas semanas “acabou no primeiro gol” e reconheceu que a equipe ficou “desorganizada”. O capitão Alan Patrick chamou o resultado de “vexame” e pediu desculpas à torcida.
A direção, na voz do vice de futebol José Olavo Bisol, classificou a atuação como “vergonhosa”, mas bancou o treinador até o Gre-Nal. A cobrança, porém, é clara: não basta competir, é preciso mostrar reação.
Nas redes sociais, torcedores questionaram se o time ainda tem comando e apontaram falta de intensidade. A paciência parece no limite.
Enquanto o Inter coleciona tropeços, o Palmeiras se afirma como principal perseguidor do líder. Com 46 pontos, o Verdão ocupa a vice-liderança e mostra força com o ataque formado por Vitor Roque e Flaco López. A dupla se movimenta de forma complementar: o argentino recua para ajudar na armação, enquanto o brasileiro busca diagonais às costas da zaga.
O esquema de Abel Ferreira se completa com meias de pés invertidos — Felipe Anderson pela esquerda e Facundo Torres pela direita — que centralizam para abrir espaço às subidas dos laterais. Foi justamente desse movimento que nasceram os primeiros gols.
O Inter chega ao Gre-Nal pressionado, com uma sequência de seis derrotas nas últimas seis partidas contra os três primeiros colocados do Brasileirão — incluindo Flamengo e Cruzeiro, além do próprio Palmeiras. A confiança está abalada, e a margem de erro, zerada.
Mais do que pontos na tabela, o clássico contra o Grêmio virou um divisor de águas para Roger Machado e para o elenco colorado. A torcida cobra, a direção observa, e o time precisa dar respostas rápidas. Porque no futebol, como mostrou o Allianz Parque, duas semanas de preparação podem não significar nada quando a bola rola.