

O Mundial de Atletismo de Tóquio 2025 terminou neste domingo (21) com um feito inédito para o esporte brasileiro. Pela primeira vez, o Brasil fecha sua participação em Campeonatos Mundiais com três medalhas conquistadas em uma mesma edição, resultado que coloca o país na 13ª posição no quadro geral e que ficará marcado como a melhor campanha da história.
O grande nome da delegação foi Caio Bonfim, que brilhou na marcha atlética. O atleta de 34 anos conquistou o ouro nos 20 km e a prata nos 35 km, chegando agora a quatro medalhas em Mundiais e se isolando como o maior medalhista brasileiro em competições da categoria. Antes, já havia garantido dois bronzes nos 20 km, em Londres 2017 e Budapeste 2023.
Outro destaque foi Alison dos Santos, o “Piu”, que ficou com a prata nos 400 metros com barreiras. O resultado reforça a constância do atleta paulista, campeão mundial em 2022 e já considerado um dos principais nomes do atletismo mundial na prova.
A campanha brasileira não se resumiu às medalhas. O país voltou a marcar presença em finais importantes. Juliana de Menis Campos, por exemplo, recolocou o Brasil em uma decisão no salto com vara feminino depois de dez anos, mesmo sem registrar salto válido na final. Izabela Rodrigues da Silva também alcançou a decisão do lançamento do disco, terminando em nono lugar.
O decatleta José Fernando Ferreira, o Balotelli, mostrou evolução ao terminar em 13º lugar, com 7.927 pontos, melhorando sua performance em relação ao Mundial de Budapeste, em 2023.
Nas semifinais, jovens atletas deram mostras de potencial. Nos 400 metros com barreiras, Matheus Lima e Guilherme Viana avançaram e registraram boas marcas, com Viana quebrando seu recorde pessoal pela quinta vez no ano. Já nos 110 metros com barreiras, Thiago Ornelas e Eduardo de Deus representaram o Brasil entre os 25 melhores do mundo.
Com as três medalhas de Tóquio, o Brasil soma agora 19 pódios em Mundiais ao ar livre: três ouros, oito pratas e oito bronzes. A lista de campeões inclui, além de Bonfim e Alison, Fabiana Murer, campeã do salto com vara em Daegu 2011.
O desempenho superou a campanha de Sevilha 1999, quando o país conquistou também três medalhas — duas pratas e um bronze. Mas em Tóquio, a diferença esteve no peso das conquistas: um ouro inédito na marcha atlética e dois atletas diferentes no pódio, mostrando amplitude na força brasileira.
Para o presidente do Conselho de Administração da Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt), Wlamir Motta Campos, o resultado é um marco: “Foi a melhor campanha da história, em 20 edições. O Caio Bonfim se consolidou como um ídolo, e outros nomes mostraram que temos um caminho de crescimento enorme pela frente”.
A projeção ganha ainda mais força porque o Brasil sediará, em 2026, o Mundial de Marcha Atlética por Equipes, em Brasília. Caio Bonfim, que mora em Sobradinho (DF), será certamente um dos rostos dessa jornada.
No quadro de medalhas, o Brasil terminou na 13ª posição, entre 53 países medalhistas. O topo ficou com os Estados Unidos, com 26 medalhas (16 de ouro), seguido pelo Quênia (11 medalhas, sete de ouro) e pelo Canadá (cinco medalhas, três de ouro).
No Placing Table, que considera os pontos de atletas classificados até o oitavo lugar, o Brasil terminou em 22º, somando 22 pontos.
O Brasil não apenas bateu recordes, mas mostrou que pode sonhar ainda mais alto. Caio Bonfim se consolidou como ídolo, Alison reafirmou sua grandeza e uma nova geração deu seus primeiros passos entre os melhores do mundo.
Foi uma campanha que misturou experiência e renovação, medalhas e histórias de superação. E que deixou claro: o atletismo brasileiro vive um momento histórico — e tem todas as condições para voar ainda mais alto nos próximos anos.