

Em uma noite que parecia desenhada para a festa inglesa, foi o Brasil quem roubou a cena em Manchester. Diante de mais de 40 mil torcedores no Etihad Stadium, a Seleção Brasileira Feminina venceu a Inglaterra por 2 a 1 neste sábado (25), encerrando a invencibilidade das atuais campeãs europeias. Bia Zaneratto e Dudinha marcaram os gols brasileiros, enquanto Stanway descontou para as donas da casa.
Mais do que uma vitória, o resultado representou uma afirmação de postura e maturidade. Mesmo com uma jogadora a menos desde os 21 minutos do primeiro tempo, após a expulsão da capitã Angelina, a equipe brasileira se impôs técnica e mentalmente diante de uma das seleções mais estruturadas do futebol mundial.
O início da partida foi um verdadeiro choque para as inglesas. Em ritmo intenso, o Brasil não se limitou a marcar — quis jogar, pressionar e atacar. Logo aos 9 minutos, Ludmila recebeu de Bia Zaneratto, girou sobre a marcação e quase abriu o placar, mandando rente à trave. O aviso estava dado.
Pouco depois, veio o primeiro golpe: Dudinha aproveitou um lançamento longo e ajeitou de cabeça para Bia Zaneratto. A camisa 16 dominou, invadiu a área e finalizou com categoria no canto esquerdo de Keating. 1 a 0, e o silêncio tomou conta das arquibancadas.
A Inglaterra tentou reagir, mas encontrou um Brasil compacto, com marcação firme e saída de bola rápida. E foi justamente em um desses contra-ataques que saiu o segundo gol. Bia retribuiu a parceria e lançou Dudinha em velocidade. A atacante não desperdiçou: com frieza, bateu cruzado e ampliou para 2 a 0, aos 18 minutos.
Quando o cenário parecia totalmente favorável, um lance mudou a história da partida. Ella Toone tentou escapar pela esquerda e foi interceptada por Angelina. A árbitra entendeu que houve impedimento de uma chance clara de gol e mostrou o cartão vermelho direto. Com uma a menos, o Brasil teve de refazer o plano.
Mesmo assim, a equipe seguiu firme. Greenwood acertou o travessão na cobrança da falta resultante da expulsão, e Carter, no rebote, mandou por cima. Era o prenúncio da pressão que viria.
Na volta do intervalo, a Inglaterra adiantou as linhas e passou a dominar a posse de bola. Logo aos 7 minutos, Mead foi derrubada na área, e a arbitragem marcou pênalti. Stanway bateu com firmeza e diminuiu para 2 a 1.
O gol incendiou o estádio e impulsionou as inglesas, que empurraram o Brasil para o campo defensivo. Morgan e Stanway ainda carimbaram o travessão em lances de perigo, mas o sistema defensivo brasileiro, comandado por Tainara e Antônia, se manteve sólido. A goleira Lorena também brilhou com defesas seguras e saídas precisas.
Quando o apito final soou, as jogadoras brasileiras se abraçaram como quem sabia o que haviam conquistado: uma vitória com alma, construída na técnica, mas sustentada pela entrega. O resultado interrompeu a sequência de cinco jogos sem sofrer gols da Inglaterra e mostrou um Brasil renovado, mais consciente e maduro.
A técnica Arthur Elias — que vem apostando em um time mais agressivo e dinâmico — comemorou o desempenho coletivo e destacou o espírito da equipe: “Jogamos com coragem. Fomos inteligentes e mantivemos a intensidade mesmo com uma a menos. Essa vitória é o retrato da nossa entrega.”
A partida serviu como uma prévia da próxima Finalíssima, marcada para 2026, quando novamente brasileiras e inglesas devem se enfrentar — desta vez, valendo título. Em 2023, as inglesas levaram a melhor nos pênaltis, em Wembley. Agora, o Brasil mostrou que aprendeu com os erros e chega muito mais preparado para o reencontro.
Com esse resultado, o Brasil encerra a data FIFA com moral elevada, deixando um recado claro: o futebol feminino brasileiro está vivo, competitivo e pronto para encarar qualquer adversário.
Placar final:
🇧🇷 Brasil 2 (Bia Zaneratto, Dudinha)
🏴 Inglaterra 1 (Stanway, de pênalti)
Estádio: Etihad Stadium — Manchester, Inglaterra
Data: 25 de outubro de 2025
Público: 40.217 pessoas
Expulsa: Angelina (BRA), aos 21 minutos do 1º tempo