

Jorge Bastos entrou formalmente na disputa pela presidência do Grêmio, apresentando um plano que mistura convicção gremista, pragmatismo de empresa e ambição esportiva. A candidatura dele, lançada no pleito que terá primeiro turno dos conselheiros no dia 30 de outubro e votação dos sócios no dia 8 de novembro, coloca-se como alternativa para “devolver o Grêmio ao seu devido lugar: conquistando títulos”.
Administrador, conselheiro do clube há muitos anos, Jorge Bastos ocupou cargos de gestão no passado – por exemplo vice-presidente na gestão de Paulo Odone, em 2005-2006. Agora volta ao cenário com uma chapa identificada como “Grêmio do Futuro”, defendendo uma visão moderna para o clube.
Bastos afirma que representa “conselheiros, associados e torcedores gremistas que há um bom tempo vêm debatendo e propondo ações concretas para o nosso Grêmio”. Ele cita como exemplos concretos a obra da Arena e a reorganização do quadro social para mostrar que “temos capacidade de realização”. A ideia é clara:
Gestão de excelência, estilo empresa/clubes-mundo;
Todas as áreas alinhadas ao futebol, que é “a razão de ser do Grêmio”;
Orçamento robusto — “o clube dispõe de um orçamento anual superior a R$ 600 milhões” — e, por isso, exige “gestão de excelência”;
Base forte, rede de captação de jovens talentos ativa;
E a torcida como centro: “Nossos 9,8 milhões de torcedores exigem e merecem isso. Temos a torcida mais fanática do Brasil e, conforme pesquisas, a maior do Sul.”
Para Bastos, o Grêmio vive um momento de “encruzilhada”. A crise ou fase difícil do clube, segundo ele, não é fim de linha — é “oportunidade de reconstrução”. Ele convoca: “Queremos um clube forte, moderno e competitivo”. Ele frisa que tudo deve convergir para vitórias — “seremos vitoriosos dentro e fora de campo”.
O plano prevê:
Executivos para todas as áreas do clube, cobrando resultados;
Metas de curto, médio e longo prazo, conectadas diretamente ao futebol;
Arena valorizada e rentável: transformar o estádio em mecanismo de geração de receita e apoio à equipe;
Estrutura de base permanente, olhando tanto para revelar atletas quanto para construir cultura de clube vencedor.
Em entrevista recente, Bastos disse que pretende manter Luiz Felipe Scolari (“Felipão”) como coordenador técnico, considerando-o uma referência de vitórias para o clube. Ele também falou da necessidade de adotar “modelo de time” com intensidade, dinâmica, qualidade de passe — características que, segundo ele, definem quem está pronto para vestir a camisa/trajetória do Grêmio.
Jorge Bastos lança sua candidatura como uma convocação: “Eu quero — e estou preparado — para ser o presidente de todos os gremistas.” Ele não fala apenas à elite ou aos conselheiros — fala à massa que veste a camisa, que canta nas arquibancadas, que respira o clube. E acrescenta que os títulos serão consequência de alinhamento, investimento, gestão e alma gremista.
Claro que o horizonte não é curto de obstáculos. O Grêmio terá de enfrentar:
A necessidade de recuperação esportiva imediata para ganhar credibilidade;
A estrutura financeira, ainda que robusta, exige que os recursos sejam usados com precisão;
Que o discurso se converta em prática — pois a torcida está cansada de promessas;
Que a identidade de clube-paixão conviva com exigências de modernidade e profissionalização.
Se a torcida gremista quer mais do que discursos, Jorge Bastos coloca-se como “ponte” entre o passado vitorioso, a estrutura que ainda existe no clube e a necessidade urgente de futuro. Com foco em gestão, no futebol como eixo central e no torcedor como prioridade, ele apresenta uma alternativa que promete: reconquistar o protagonismo do Grêmio com método e alma. Aos que cantam nas arquibancadas, o convite está lançado: “vamos ver o Grêmio campeão”.