

A caminhada é dura, longa e, muitas vezes, ingrata. Mas o torcedor do Juventude já aprendeu que, mesmo quando o cenário parece desabar, sempre existe um fio de esperança vindo da Serra. Na noite desta quarta-feira (5), em pleno caldeirão da Ilha do Retiro, o Ju fez valer essa força que não se explica, apenas se sente. Vitória por 2 a 0 sobre o Sport, gols de Gabriel Taliari e Ênio, atuação de personalidade, e a certeza de que a luta segue viva. Com o resultado, o Juventude chega aos 29 pontos e sobe para a 18ª colocação no Brasileirão. No sábado (8), às 18h, o desafio será diante do Vasco, em São Januário.
A partida começou estudada, mas não fria. O Sport tentou acelerar pelos lados, apostando na intensidade da torcida pernambucana. Chrystian Barletta foi o primeiro a arriscar, exigindo defesa segura de Jandrei. A resposta do Ju veio como o time precisa ser: direto, vertical, incisivo. Rafael Bilu puxou contra-ataque e encontrou Nenê, que finalizou cruzado com perigo.
E aí veio o primeiro momento-chave da noite. Aos 18 minutos, Gabriel Taliari acertou um voleio daqueles para ficar guardado em quadro na parede do torcedor. Golaço. Porém, o árbitro enxergou falta no lance — uma decisão muito contestada. Era para ser o gol que mudaria o clima mais cedo. Mas o Juventude não se abalou.
O time seguiu marcando alto, roubando bolas e mostrando personalidade fora de casa. Nenê, em chute forte de longe, obrigou Gabriel a fazer grande defesa. Já do outro lado, Jandrei se esticou para espalmar cabeceio de Lucas Kal. Era jogo grande, de detalhes.
Aos 46 minutos do primeiro tempo, enfim, a justiça apareceu no marcador. Marcelo Hermes, com calma de quem já viveu muita coisa no futebol, levantou bola medida para a segunda trave. E lá estava ele: Gabriel Taliari, camisa 19, centroavante que não se esconde. Testada firme, caprichada, para o fundo das redes. Quinto gol dele no Brasileirão. Artilheiro. Referência. Líder silencioso.
No segundo tempo, o Juventude não recuou. A postura foi clara: jogar para ganhar, não para segurar. Taliari quase marcou novamente em chute cruzado, raspando a trave. Ênio, em arrancadas pela direita, infernizou a defesa do Sport. E foi justamente ele quem definiu.
Aos 34 minutos, tabela bem trabalhada, assumindo o protagonismo. Gabriel Taliari clareou o jogo com visão de quem entende a hora de acelerar. Lançamento na medida para Igor Formiga, que invadiu a área e rolou na medida. Ênio se apresentou na zona do atacante, completou de primeira e correu para o abraço. Gol de quem sabe que a luta é diária.
Foi mais do que três pontos. Foi afirmação. Foi coração. Foi Juventude sendo Juventude: simples, direto, verdadeiro.
A tabela ainda aperta. A margem de erro é pequena. Mas há vida. Há gás. Há alma. E quem tem alma no Brasileirão nunca está derrotado.
No sábado, contra o Vasco, a história segue. São Januário costuma ser pesado, mas nada é mais pesado que desistir — e isso o torcedor jaconero conhece bem: desistir não faz parte do vocabulário.
A luta continua.
E continua forte.
Na força da Serra.