

O Internacional voltou de Salvador com mais uma noite pesada na bagagem. No Barradão, diante de um Vitória que soube aproveitar melhor o único detalhe decisivo da partida, o Colorado foi derrotado por 1 a 0, nesta quarta-feira (05), em jogo válido pela 32ª rodada do Campeonato Brasileiro. O resultado mantém o Inter pressionado na parte inferior da tabela, exigindo reação imediata diante do Bahia, no próximo sábado (08), às 18h30, no Beira-Rio.
Sem Gabriel Mercado e Rafael Borré, suspensos, Ramón Díaz apostou em Clayton e Ricardo Mathias entre os titulares, mantendo o esquema com três zagueiros — Vitão e Juninho completaram a linha defensiva — e buscando saída com pelos lados, através de Vitinho e Bernabei. Thiago Maia e Bruno Gomes formaram a dupla de volantes, com Alan Patrick mais centralizado e Bruno Tabata e Ricardo Mathias ocupando as faixas de ataque. Curiosamente, o Vitória adotou a mesma estrutura tática, o que resultou em um primeiro tempo espelhado, estudado, e de poucas chances claras.
As jogadas mais perigosas antes do intervalo vieram pelo alto. Lucas Halter, zagueiro do Vitória, apareceu duas vezes com perigo em cobranças de escanteio. O Inter respondeu nos minutos finais da etapa, quando ganhou corpo ofensivo e passou a empurrar o adversário para trás. Bernabei avançou muito pelo corredor esquerdo, forçando Erick a recuar. Alan Patrick, Clayton e Ricardo Mathias arriscaram de média distância, mas apenas a finalização do centroavante exigiu boa defesa de Thiago Couto.
Sentindo a necessidade de acelerar, Ramón Díaz voltou com alterações para o segundo tempo. Bruno Tabata e Ricardo Mathias saíram para as entradas de Gustavo Prado e Carbonero. A partir dali, o Inter ganhou amplitude pelos lados e tentou explorar mais velocidade. Alan Patrick passou a atuar como falso 9, movimentando a defesa adversária.
O jogo ficou mais aberto. Logo no início, Baralhas quase marcou para o Vitória, em finalização dentro da área, salva por Ivan. No lance seguinte, Prado recebeu passe de Bernabei e teve a chance clara, mas faltou precisão na finalização.
Aos 23 minutos, o castigo veio pelo alto. Mais uma vez, Lucas Halter se colocou bem após cobrança de escanteio e cabeceou firme, vencendo a marcação colorada para fazer 1 a 0. O Inter até tentou reagir rapidamente: Gustavo Prado finalizou para defesa de Thiago Couto, e Alan Patrick teve chute bloqueado quando se encaminhava para empatar o jogo.
Com o placar adverso, Ramón Díaz abriu mão de um zagueiro, deslocando Clayton para dar lugar a Oscar Romero, e reorganizou o time em um 4-3-3 mais agressivo. Depois, Raykkonen entrou na vaga de Vitinho para tentar manter intensidade pelos lados. O Inter ocupou campo ofensivo, rondou a área, cruzou, arriscou de longe — mas faltou clareza, frieza e profundidade na última bola.
Mesmo pressionando até o final, o Inter não conseguiu o gol do empate. O Vitória, por sua vez, administrou a vantagem, esfriando o jogo e explorando contra-ataques para segurar os três pontos em casa.
A derrota mantém o Inter perto da zona de perigo, aumentando a urgência pela vitória na próxima rodada. O confronto contra o Bahia no Beira-Rio, sábado, é direto, pesado e emocional. É jogo de vestir a camisa pensando na história, no que o clube representa e no que ainda pode ser feito para mudar o rumo da campanha.
O torcedor sabe que nada é simples.
Mas também sabe que o Internacional nunca foi clube de aceitar o óbvio.
É hora de jogar com a arquibancada, com a memória, com o peso de quem já foi gigante tantas vezes.
Sábado é decisão.
Outra vez.
E pode não ser a última.