

O sábado foi de clima eleitoral forte na Arena do Grêmio. Movimentação intensa, arquibancadas recebendo sócios de todas as partes, votação híbrida com participação maciça e, no final da tarde, o anúncio que confirmou aquilo que o ambiente gremista já sinalizava: Odorico Roman é o novo presidente do Clube para o triênio 2025-2028. A vitória veio com autoridade — 68,84% dos votos — sobre o concorrente Paulo Caleffi.
Foram 22.240 gremistas participando da votação, o maior número da história do clube em uma eleição. Um dado que, por si só, diz muito sobre o momento. O Grêmio vive um ponto de reavaliação profunda, após anos de turbulência em campo, debates sobre gestão, manutenção da competitividade e ligação afetiva com o torcedor. O sócio entendeu a gravidade da encruzilhada e compareceu.
Odorico, 67 anos, não é um rosto novo na política tricolor e tampouco chega sem bagagem. Economista, aposentado do Banco do Brasil, gremista de arquibancada, foi vice de futebol justamente na reconstrução que levou ao auge recente do clube: Copa do Brasil 2016 e Libertadores 2017. Viveu aquele período de retomada ao lado de Romildo Bolzan Jr. e, agora, retorna num cenário completamente diferente, em que o Grêmio precisa reencontrar identidade, competitividade e estabilidade.
“Esse resultado nos enche de alegria e responsabilidade. Nunca imaginei ser presidente do clube do meu coração. O torcedor pode esperar trabalho, união e seriedade”, disse Roman em seu primeiro pronunciamento como presidente eleito. Ele agradeceu apoiadores, citou nominalmente Celso Rigo pela articulação política e Marcelo Marques pelo gesto envolvendo a Arena. Mais do que discursos formais, foi visível a emoção no momento da fala. Havia um brilho de reencontro.
Mas a mensagem central foi outra: união. Roman pediu que o torcedor se reaproxime, volte ao estádio, volte a ser sócio, volte a sentir-se parte. Um chamado que não é apenas simbólico — é estratégico. O Grêmio, nos próximos anos, precisará de estrutura financeira e de mobilização social para sustentar mudanças.
O novo Conselho de Administração terá Eduardo Schumacher, Fábio Rafael dos Santos Rigo, Antônio Dutra Júnior, Paulo Elói Grings, Carlos Alberto Vendt Dressler e Juliano Franczak como vice-presidentes. É um grupo que combina experiência interna, influência política e perfis técnicos, algo que pode ser determinante num momento em que o clube discute horizontes: desde gestão da Arena até modernização do departamento de futebol, passando pela necessidade de formar elenco competitivo e fortalecer as categorias de base.
Quem é o novo presidente
Nascido em Guaporé, Odorico Roman cresceu gremista. Tornou-se sócio ainda na década de 80 e conselheiro em 2010. Não chegou ao cargo atual por acaso. Ele percorreu o caminho completo: debate político, participação em conselho, entrada em diretoria, gestão de futebol, convivência com vestiário e cobrança de torcida.
No departamento de futebol, esteve presente nos bastidores das conquistas que reergueram o Grêmio em nível continental. É alguém que conhece o peso da camiseta e o peso de cada decisão esportiva tomada dentro do clube.
O desafio que começa agora
A posse formal ainda virá, mas o trabalho já começou. O Grêmio chega a este novo ciclo diante de desafios claros:
– Reconstruir um elenco competitivo.
– Retomar protagonismo nacional.
– Reaproximar torcedor e clube.
– Estabilizar ambiente político e financeiro.
– Decidir os próximos capítulos da relação com a Arena.
O torcedor gremista viveu, nos últimos anos, frustração, expectativa e desgaste. Entre queda, retorno, tentativas e erros, o sentimento que surge neste momento é o de recomeço — não de euforia, mas de esperança cautelosa.
E talvez seja disso que o Grêmio mais precise neste instante: menos promessas, mais projeto; menos discurso vazio, mais execução.A eleição deste sábado não resolveu tudo.
Mas recolocou o clube no caminho do diálogo e da construção.
A partir de agora, o Grêmio tem um novo comando, um novo tom político e um desafio imenso pela frente.
E como o próprio Roman disse:
“É hora de trabalhar. E trabalhar junto.”