

O Juventude entrou em campo na noite desta sexta-feira (28) sabendo que apenas a vitória manteria viva a esperança matemática de permanecer na Série A. Lutou, pressionou, criou chances e esbarrou em uma atuação quase inacreditável do goleiro Ronaldo, do Bahia. O empate por 1 a 1 no Alfredo Jaconi, pela 36ª rodada, foi duro. Minutos depois, a goleada do Santos sobre o Sport transformou a ameaça em fato: o Verdão está oficialmente rebaixado para a Série B de 2026.
O jogo começou intenso. As duas equipes marcavam forte, sem espaço para criação. O Juventude chegou primeiro: Rafael Bilu avançou pela direita e cruzou para Mandaca, que testou firme para defesa segura de Ronaldo.
Na resposta baiana, aos 21 minutos, Ademir recebeu rápido contra-ataque, ajeitou e bateu no canto de Jandrei para abrir o placar. O gol não abalou o Juventude — pelo contrário. O time acelerou, empurrou a marcação e encontrou o empate aos 28. Marcelo Hermes cruzou na medida para Gabriel Taliari, que dominou girando e bateu forte, estufando as redes. Foi o oitavo gol do artilheiro jaconero no Brasileirão.
Antes do intervalo, o Juventude ainda teve outra grande chance: Bilu recebeu na entrada da área, cortou para o pé esquerdo e bateu rasteiro no canto. Ronaldo voou, com a ponta dos dedos, e mandou para escanteio.
Veio a etapa final, e o Ju cresceu. Ficou mais agressivo, mais incisivo — e até marcou um golaço. Marcos Paulo acertou uma bicicleta perfeita, mas o lance foi anulado por impedimento de Rodrigo Sam na origem da jogada.
A partir daí, Ronaldo virou o nome da partida.
Aos 29, Negueba entrou cara a cara, bateu firme, e o goleiro fez milagre. Logo depois, Ênio cruzou para Taliari testar no canto — outra defesa espetacular. Em mais um bom ataque, Negueba desviou de cabeça no ângulo, e Ronaldo tocou na bola o suficiente para ela acertar a trave.
No último lance do jogo, Rodrigo Sam recebeu cruzamento em frente à pequena área, mas finalizou para fora, consumando um empate com gosto amargo.
Com 34 pontos na tabela, o Juventude precisava combinar vitória própria com tropeços dos concorrentes diretos. Mas o triunfo do Santos por 3 a 0 sobre o Sport encerrou qualquer possibilidade de reação. A queda, que vinha sendo anunciada pelas dificuldades ao longo da temporada, se confirmou com duas rodadas de antecedência.
Esta será a terceira queda do clube na era dos pontos corridos e a segunda em quatro anos.
Nos bastidores, o clube vive momento decisivo. Haverá eleição no início de dezembro, e a tendência é de permanência do presidente Fábio Pizzamiglio, ainda que haja mudanças entre os vice-presidentes.
No departamento de futebol, o processo de reformulação — que já começou — deve ser acelerado. Vários contratos serão revisados, e a direção busca reorganizar o elenco para 2026.
Thiago Carpini, por sua vez, afirmou em entrevista que pretende conversar com a direção antes de definir sua permanência. Porém, a tendência aponta para sua saída: o treinador tem outras propostas e, por causa do salário elevado no retorno ao clube, sua continuidade é vista como improvável.
O Juventude ainda tem dois jogos pela Série A — contra o Santos no Jaconi e contra o Corinthians em São Paulo. Serão partidas para cumprir tabela, mas também para observar atletas, testar alternativas e iniciar o planejamento da próxima temporada.
A missão agora é reconstruir. Fazer do rebaixamento um ponto de partida, não de chegada. Entender os erros, reorganizar o departamento de futebol e reencontrar a identidade competitiva que sempre marcou o clube.