

O Internacional vive dias de tensão, pressa e desespero. Depois da goleada sofrida diante do Vasco, no Rio, e da demissão de Ramón Díaz e toda a sua comissão técnica, o clube bateu à porta de alguém que já faz parte da alma colorada: Abel Braga, campeão de tudo em 2006, agora chamado para uma missão curta, pesada e emocional.
Aos 73 anos, Abel volta ao comando do Inter pela oitava vez. Ele não treinava uma equipe desde 2022 e chegou a anunciar oficialmente sua aposentadoria. Mesmo assim, não hesitou ao aceitar o chamado. A razão, segundo ele próprio, não poderia ser mais clara:
— Eu sou um técnico aposentado. Mas devo muito ao Inter e, por isso, vou fazer esses dois jogos por amor ao clube. Não importa o que aconteça.
A frase resume bem a atmosfera que tomou conta do Beira-Rio. Não se trata de projeto, continuidade ou reconstrução. É urgência pura. É tentativa de evitar que o clube escreva um capítulo que ninguém quer ler: o segundo rebaixamento de sua história.
O Inter chega às rodadas finais do Brasileirão na 17ª posição, abrindo a zona de rebaixamento com 41 pontos. Precisa reagir imediatamente para escapar do Z-4. E terá pela frente dois adversários difíceis:
São Paulo, fora de casa, na quarta-feira (3), às 20h;
Bragantino, no Beira-Rio, no sábado (7), às 16h.
São jogos de vida ou queda. Jogos em que o fator emocional pesa tanto quanto o tático. E é exatamente aí que a figura de Abel Braga entra como última cartada.
Ele retorna neste domingo (30) para comandar o primeiro treino no CT Parque Gigante. A direção também confirmou o retorno de Élio Carravetta, outro nome experiente e identificado com o clube, para reforçar o grupo de trabalho.
Abel Braga já treinou o Inter em oito oportunidades, e poucas pessoas carregam tanto simbolismo dentro do Beira-Rio. Ele é o técnico mais marcante da história recente do clube e acumula feitos que moldaram a identidade colorada no século XXI.
Em 2006, levou o Inter à Libertadores e ao Mundial de Clubes. Para muitos torcedores — e para boa parte do país — aquilo foi o maior ano da história do clube.
Em 2020/21, Abel reassumiu o Inter em meio a outra turbulência e conduziu uma arrancada impressionante: foram 12 jogos sem perder, com nove vitórias consecutivas, levando o time à disputa do título até o fim. O Colorado ficou a apenas um ponto do campeão.
Mais de 340 jogos comandando o Inter.
Conquista de Libertadores, Mundial, Gauchões e campanhas memoráveis.
Identificação emocional com torcida, funcionários e ambiente interno.
É justamente esse conjunto — história, vínculo, respeito e entrega — que trouxe Abel de volta quando quase todos diriam “não”.
Embora o contrato seja curto, limitado apenas às duas últimas rodadas, Abel traz junto algo que o Inter perdeu nos últimos meses: calma, confiança e liderança.
Não há promessa de milagre. Não há tempo para grandes mudanças táticas. O trabalho, agora, é na base da conversa, da reorganização emocional e da tentativa de recuperar a alma competitiva do time.
O Beira-Rio espera, a torcida abraça e Abelão retorna mais uma vez — talvez a última — para tentar livrar o clube de um final indesejado.
Se a história colorada é feita de luta e superação, então este é o momento de mais uma prova. Abel está de volta. Agora, resta saber se o Inter conseguirá, com ele, escrever mais um capítulo de resistência.