

O Sport Club Internacional entrou em campo neste domingo sabendo exatamente o que precisava fazer: vencer. Não havia espaço para cálculos longos, para ensaios, nem para “se der”. O Inter precisava dos três pontos, e de preferência de uma atuação que mostrasse, mesmo no fim da temporada, que ainda existia força, alma e coragem.
E foi isso que o Beira-Rio viu: uma equipe que, empurrada pelos mais de 20 mil torcedores, transformou a pressão em combustível e venceu o Red Bull Bragantino por 3 a 1, chegando aos 44 pontos e garantindo a permanência na Série A em 2026. Um desfecho carregado de emoção — e alívio.
A tarde começou com arquibancadas fazendo o que fazem de melhor: cantar. “Vamo, vamo, Inter!” ecoava como se o estádio inteiro tentasse empurrar a bola rumo ao gol antes mesmo de o jogo começar. A torcida sabia que a missão era dura, mas também sabia que não seria impossível.
Abel Braga, chamado para apagar um incêndio às vésperas do fim, apostou no 4-2-3-1 e fez apenas uma mudança em relação ao time que enfrentou o São Paulo: Borré entrou no lugar de Juninho. E o Inter começou o jogo do jeito que o torcedor gosta: marcando em cima, acelerando pelos lados e buscando o gol desde o primeiro minuto.
As primeiras chances vieram com Vitinho, sempre participativo, e depois com Alan Rodríguez, que arriscou de longe. O Inter comandava, mas o gol insistia em não sair. A melhor oportunidade da etapa inicial foi de Bruno Gomes, que mandou um foguete no travessão e fez o estádio prender o ar.
Se o primeiro tempo foi de tensão, o segundo foi de decisão. A torcida voltou do intervalo com a notícia animadora de que os outros resultados ajudavam — mas isso não bastava. O Inter precisava fazer sua parte.
E fez.
Vitão recebeu na entrada da área e cruzou com precisão milimétrica. Mercado subiu alto, como centroavante, e testou firme. A bola não entrou, mas cruzou a linha o suficiente para inflamar o estádio. Era o grito engasgado finalmente liberado: 1 a 0.
O gol fez o Inter crescer. E as arquibancadas sentiram o momento, pedindo logo o segundo: “Mais um! Mais um!”. O recado foi entendido. Em jogada pela esquerda, Aguirre foi derrubado na área. Pênalti. Alan Patrick, o maior artilheiro da nova era do Beira-Rio, bateu com a calma de quem conhece cada canto do estádio: Cleiton para um lado, bola para o outro. 2 a 0.
A partir dali, o jogo virou emoção pura.
Aos 35 minutos, o Bragantino perdeu a bola no meio e o Inter desceu em velocidade. Ricardo Mathias, recém-promovido ao jogo, dominou orientado, escapou da marcação e achou Carbonero livre. O colombiano arrancou desde o campo defensivo, correu com convicção e finalizou forte, sem chance para Cleiton.
Era o gol do alívio. O gol da certeza. O gol que tirava um peso gigante das costas de um clube inteiro.
3 a 0, e o Beira-Rio virou festa.
O Bragantino ainda descontou com Jhon Jhon, mas não passou disso. Com inteligência, Abel reforçou o meio e fechou a casa. O Inter segurou até o apito final — e quando ele veio, o estádio explodiu de novo.
Encerrado o jogo, uma cena simbólica tomou conta do gramado. Abel Braga, multicampeão colorado e responsável por segurar o time nos momentos mais delicados, foi aplaudido em pé pelos torcedores. Não havia comemoração exagerada, mas havia gratidão. Abel, mais uma vez, foi gigante quando o clube mais precisou.
O Inter termina o campeonato cansado, pressionado e sem esconder as feridas deixadas pela campanha irregular. Mas termina vivo. Termina na Série A. Termina com sua identidade preservada.
E essa permanência vale muito mais do que o número frio da tabela.
Ela é o ponto de partida para reconstruir, reorganizar e devolver ao torcedor o que ele mais espera: um time que honre a camisa, que lute como lutou hoje, e que não espere a última rodada para mostrar sua força.
O Inter se salvou. Agora precisa se reencontrar.
E o Beira-Rio já deu o recado.
Em 2026, é para ser diferente. E melhor.