

O ano de 2026 começou com a cara do Internacional. Jovem, intenso, resiliente e conectado com a sua gente. No Beira-Rio, empurrado por uma torcida presente e participativa, o Colorado saiu atrás, sentiu o peso do jogo em alguns momentos, mas buscou a reação com maturidade e venceu o Novo Hamburgo por 2 a 1, na estreia do Campeonato Gaúcho. Uma virada que vai além dos três pontos: é símbolo de um projeto que aposta na base e na construção coletiva.
Desde a escalação inicial, a mensagem estava dada. Oito crias do Celeiro de Ases começaram a partida entre os titulares. Para três deles — Benjamin, Allex e João Bezerra — foi a primeira vez como profissionais do Clube do Povo. Do outro lado, um Novo Hamburgo que não se intimidou e iniciou o jogo de forma agressiva, tentando aproveitar o momento de adaptação dos jovens.
Logo aos dois minutos, Anthoni precisou aparecer com boa defesa em cabeceio de Allison. Pouco depois, o mesmo atacante acertou uma finalização de bicicleta e abriu o placar no Gigante. Um golpe duro, especialmente para um time jovem, mas que serviu como teste de caráter.
O Inter respondeu com posse de bola e iniciativa, mas encontrou dificuldades diante de uma defesa bem fechada, com linha de cinco jogadores protegendo a área. Sem espaços para infiltrar, a alternativa passou a ser o chute de média distância. Gustavo Prado tentou, Benjamin arriscou, João Bezerra brigou. Faltava o detalhe final, mas sobrava entrega.
Com Benjamin ganhando protagonismo no meio-campo, o Colorado cresceu no jogo ainda no primeiro tempo. O jovem volante mostrou personalidade, girou, acelerou e chamou a responsabilidade. O gol, porém, não veio antes do intervalo.
Na volta para o segundo tempo, Pablo Fernández — auxiliar permanente e comandante da equipe na estreia — ajustou a engrenagem. A entrada de João Victor deu mais suporte à construção e o Inter passou a controlar o jogo com mais clareza. A pressão aumentou, a presença na área também.
E foi justamente assim que o empate surgiu. Aos 15 minutos, Alisson avançou pela esquerda e cruzou. O goleiro tentou socar, falhou, e o zagueiro João Marcus, pego no contrapé da jogada, acabou desviando contra o próprio patrimônio. O Beira-Rio explodiu. Tudo igual.
O jogo ganhou outro ritmo. O Inter seguiu em cima, mas o desgaste começou a aparecer. Pablo mexeu novamente e colocou Diego Coser e Leandro Kauã. A troca manteve o fôlego e trouxe ainda mais intensidade. As chances começaram a se empilhar: Victor Gabriel assustou em cabeceio, Anthoni salvou do outro lado, o jogo ficou aberto, vivo, pulsante.
A recompensa veio aos 40 minutos do segundo tempo. Após antecipação no campo ofensivo, Ronaldo encontrou Diego Coser em profundidade. Frio, inteligente e com história para contar — torcedor colorado desde a infância —, o atacante esperou o movimento do goleiro e finalizou no contrapé. Virada. Gol que resume o espírito da noite: coragem, leitura de jogo e identidade.
Nos minutos finais, o Inter se reorganizou defensivamente, fechou os espaços e administrou a vantagem com maturidade. Não houve desespero, não houve desorganização. Houve controle. Ao apito final, jogadores e torcida se encontraram no centro do campo, em aplausos mútuos. Clube e Povo, mais uma vez, lado a lado.
A vitória ganha ainda mais peso dentro do novo formato do Campeonato Gaúcho, que mantém a primeira fase em turno único, com grupos regionalizados, jogos decisivos desde a largada e uso do VAR desde a rodada inicial. Cada ponto conta. Cada erro pesa. E cada vitória constrói caminho.
O Inter volta a campo na quinta-feira (15), às 19h, diante do Monsoon, no Estádio Francisco Novelletto Neto. A temporada está só começando, mas a estreia já deixou claro: quando a gurizada responde e a torcida empurra, o Beira-Rio segue sendo um lugar difícil para qualquer adversário.