

O Gre-Nal 449 foi daqueles que explicam por que essa rivalidade é diferente de todas as outras. Empurrado por mais de 32 mil colorados no Beira-Rio, o Internacional precisou buscar forças onde só os grandes encontram: na capacidade de reagir, de jogar bola mesmo em desvantagem e de não se entregar nunca. Duas vezes atrás no placar, o Clube do Povo não se desesperou, manteve sua proposta ofensiva e, com justiça, venceu o Grêmio por 4 a 2.
Borré, duas vezes, Bernabei e Marcos Rocha, contra, marcaram os gols da vitória colorada número 166 na história do clássico. Um resultado que vale muito mais do que três pontos. Válido pela quinta e penúltima rodada da fase classificatória do Campeonato Gaúcho, o triunfo levou o Inter aos 12 pontos, garantiu a liderança do Grupo A e confirmou, com antecedência, a classificação para as quartas de final.
Desde o apito inicial, ficou claro qual era a ideia de Paulo Pezzolano. O Inter foi a campo com a mesma formação que havia vencido o Inter de Santa Maria, apostando em um time agressivo, com três atacantes e presença constante no campo adversário. E o recado foi dado cedo. Em poucos minutos, Carbonero e Borré chegaram a balançar a rede, mas ambos os lances acabaram anulados por impedimento. Ainda assim, a postura era clara: o Inter não esperaria o rival.
Nem mesmo o gol sofrido logo aos quatro minutos, em finalização de Amuzu, mudou o roteiro. O Beira-Rio seguiu empurrando, e o time respondeu rápido. Bernabei apareceu bem pela esquerda, Borré brigou até o fim pela bola dentro da área e o lance terminou em escanteio. Na cobrança, Alan Patrick colocou na medida, a defesa afastou em cima da linha, mas o desvio em Marcos Rocha acabou empurrando a bola para o fundo do gol. Empate justo, que incendiou ainda mais o estádio.
A partir dali, o Inter tomou conta do jogo. Paulinho passou a ditar o ritmo no meio, Ronaldo foi o gatilho da pressão alta e Alan Patrick encontrou espaços para jogar. Chances não faltaram. Carbonero, Vitinho e o próprio camisa 10 levaram perigo, sempre exigindo atenção máxima de Weverton. O rival, acuado, só conseguiu respirar nos minutos finais da primeira etapa, em jogadas isoladas pela esquerda, bem neutralizadas por Rochet e Bruno Gomes.
No segundo tempo, mesmo com mudanças no time adversário, o cenário pouco mudou. O Inter seguiu em cima, criou, reclamou pênalti não marcado em Carbonero e empilhou finalizações. Mas o futebol, às vezes, é cruel. Em um bate-rebate dentro da área, Edenilson recolocou o rival em vantagem, contra a lógica do jogo.
Foi aí que apareceu, mais uma vez, a personalidade desse Inter. Sem desespero, sem chutão, com bola no chão. Victor Gabriel puxou a transição, Bernabei acelerou pela esquerda e Carbonero atacou o espaço. O cruzamento veio na medida para Borré, que subiu como centroavante grande decide clássico: cabeçada firme, sem chance. Tudo igual de novo.
O Beira-Rio ainda comemorava quando veio o golpe definitivo. Paulinho roubou a bola, atraiu a marcação e serviu Alan Patrick. Em dois toques geniais, o capitão deixou Borré na cara do gol. O colombiano teve frieza, esperou o movimento do goleiro e finalizou rasteiro. Virada, explosão nas arquibancadas e justiça no placar.
Com o rival exposto, o Inter foi mortal. Tabata chegou bem pela direita, Borré fez o corta-luz inteligente e Bernabei, símbolo da intensidade colorada na noite, finalizou dentro da área para marcar o quarto. Um gol que selou a vitória e transformou o clássico em festa.
Nos minutos finais, Pezzolano rodou o elenco, o time controlou o jogo e Borré, Carbonero e Ronaldo deixaram o campo ovacionados. Era o reconhecimento de uma torcida que viu mais do que uma vitória: viu um time com identidade, coragem e ambição.
Com o Gre-Nal vencido e a classificação garantida, o Internacional agora muda o foco. Na próxima quarta-feira (28), às 19h, o Colorado estreia no Campeonato Brasileiro diante do Athletico-PR, no Beira-Rio, com check-in liberado e ingressos à venda para sócios e sócias. Pelo Gauchão, o último compromisso da fase classificatória será no sábado, dia 31, às 16h30, contra o Caxias, no Estádio Centenário.
O Gre-Nal 449 já ficou para a história. E ficou claro: quando esse Inter joga com alma, futebol e coragem, o clássico costuma ter dono.