

O Brasileirão não espera, não perdoa e não dá margem para ajustes longos. Ele cobra resposta imediata. Na noite desta quarta-feira, no Beira-Rio, o Internacional sentiu isso na pele. Mesmo criando, pressionando e empurrando o adversário em longos momentos do jogo, o Colorado acabou derrotado por 1 a 0 pelo Athletico-PR, na estreia do Campeonato Brasileiro de 2026.
O resultado negativo na largada deixa um recado claro: volume de jogo, por si só, não resolve uma competição que exige eficiência máxima. Agora, o Inter volta a campo pelo Brasileirão no dia 4 de fevereiro, fora de casa, contra o Flamengo. Antes disso, fecha sua participação na fase classificatória do Gauchão no sábado, às 16h30, diante do Caxias, no Estádio Centenário.
Para o jogo da estreia nacional, Paulo Pezzolano promoveu mudanças importantes, tanto em nomes quanto no desenho da equipe. Mercado, Paulinho e Carbonero começaram no banco. Entraram Félix Torres, Bruno Henrique e Bruno Tabata. Com isso, o Inter passou a atuar, quando tinha a bola, em uma estrutura com três zagueiros, alas bem abertos e Alan Patrick flutuando por dentro, buscando dar mais mobilidade ao setor ofensivo.
O começo foi animador. Aos seis minutos, Borré venceu a zaga em velocidade, ficou frente a frente com o goleiro e serviu Tabata. O chute saiu forte, mas Terán salvou em cima da linha. Era o sinal de que o Inter começaria pressionando. Porém, como tantas vezes acontece no Brasileirão, quem não faz, paga. Em uma transição rápida, Mendoza recebeu passe de Viveros e abriu o placar para os visitantes.
O gol não desorganizou o Inter. Pelo contrário. O time aumentou a intensidade e passou a rondar a área adversária. Vitinho cruzou com perigo, Bruno Gomes finalizou tirando tinta do travessão e Tabata voltou a parar na marcação. O Athletico-PR, confortável nos contra-ataques, ainda teve chance clara para ampliar, mas desperdiçou. O Colorado respondeu com novas investidas, empilhou oportunidades e foi para o intervalo com a sensação incômoda de que poderia estar em vantagem.
Na volta do intervalo, Pezzolano lançou Carbonero e deixou o time ainda mais agressivo. A pressão virou praticamente um ataque contra defesa. Escanteios em sequência, finalizações bloqueadas, bolas cruzando a pequena área e um roteiro que o torcedor colorado conhece bem: insistência, domínio territorial e dificuldade para transformar isso em gol.
Rochet também precisou trabalhar, salvando em lance cara a cara, enquanto Santos se transformava em personagem do jogo do outro lado, defendendo chutes de Alan Patrick, Ronaldo e Borré. O Inter seguia empilhando chances.
O empate chegou a sair dos pés de Borré, em uma cavadinha cheia de categoria, mas foi anulado por impedimento. Pouco depois, Félix Torres marcou após bola parada. No campo, o gol foi validado. No VAR, o braço entrou em cena. Após revisão, a arbitragem anulou novamente o gol colorado. Duas explosões de alegria interrompidas pelo mesmo motivo: a cabine.
Na reta final, Pezzolano lançou tudo o que tinha à disposição. Mais presença ofensiva, mais cruzamentos, mais pressão. Na última chance da noite, Borré tentou de letra, e Santos, em cima da linha, manteve a vitória paranaense. Apito final, vaias contidas e a certeza de que o placar não traduziu totalmente o que foi o jogo.
O Brasileirão 2026 começa sob novas diretrizes: critérios mais rígidos para acréscimos, uso do VAR com revisões mais longas, maior combate à cera e um calendário ainda mais exigente fisicamente. Tudo isso torna a competição mais dura, mais intensa e menos tolerante a erros — técnicos, táticos ou de decisão.
Para o Inter, a estreia deixa sinais positivos e alertas claros. O time criou, competiu e pressionou. Mas também mostrou que, no Campeonato Brasileiro, eficiência vale mais que volume, e detalhe define resultado. A maratona está só no começo, mas o preço de cada ponto já se mostra alto desde a primeira rodada.
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