

A derrota do Internacional para o Athletico-PR na estreia do Brasileirão não pode ser analisada apenas pelo placar. O 1 a 0 no Beira-Rio incomoda, claro, mas o jogo entrega muito mais informações do que simplesmente três pontos perdidos.
O principal problema do Inter apareceu cedo. Muito cedo. O gol sofrido logo no início escancarou uma dificuldade que já vinha dando sinais: a fragilidade na transição defensiva. Bastou a perda da bola para o Athletico encontrar espaço, acelerar e decidir o jogo. Esse tipo de erro, em um campeonato longo como o Brasileiro, custa caro.
Outro ponto que chama atenção é o contraste entre posse de bola e efetividade. O Inter teve controle do jogo, ficou mais tempo no campo ofensivo, finalizou mais e empilhou escanteios. Mas tudo isso virou pouco perigo real. Ter a bola não significa, necessariamente, estar mais próximo do gol. Faltou clareza no último passe, calma na tomada de decisão e, principalmente, eficiência nas finalizações.
Os dois gols anulados entram nessa conta. Não é só detalhe de arbitragem. É também sinal de descompasso ofensivo, de movimentos fora de tempo, de um ataque que até cria, mas ainda não funciona de forma sincronizada. Em vários momentos, a sensação foi de um time que constrói bem até a entrada da área e se perde justamente onde o jogo se decide.
Por outro lado, nem tudo foi negativo. O Inter mostrou organização, não se desmanchou após sofrer o gol e manteve uma proposta clara de jogo. A equipe teve paciência, circulou a bola e empurrou o adversário para trás durante boa parte do segundo tempo. Houve pressão, houve volume e houve uma resposta coletiva que precisa ser valorizada.
Individualmente, jogadores como Alan Patrick e Borré seguem sendo referências técnicas. Borré, inclusive, se movimenta muito, incomoda defesas e participa do jogo. O problema é que, muitas vezes, ele parece fazer tudo sozinho. Falta companhia mais decisiva dentro da área.
E é aí que entra a discussão inevitável: o elenco. O Inter precisa contratar. Não por desespero, mas por necessidade. Falta um atacante mais contundente, aquele jogador que precise de meia chance para resolver. Falta também um volante que ajude a equilibrar o time, que proteja melhor a defesa quando a bola é perdida e dê mais segurança ao sistema. E, se possível, um lateral que una força defensiva e apoio ofensivo, porque o time tem sofrido justamente nesses corredores.
O trabalho de Paulo Pezzolano tem ideias, tem organização e tem coerência. Mas o Brasileirão não espera amadurecimento. Ajustes táticos são urgentes, principalmente na recomposição e na eficiência ofensiva. Com correções e reforços pontuais, o Inter tem tudo para transformar volume em resultado.
Perder na estreia dói. Mas entender o porquê da derrota é o primeiro passo para não repeti-la. E esse jogo deixou recados bem claros.
Robert Abel