

O Internacional saiu de Caxias do Sul maior do que entrou. A vitória por 1 a 0 sobre o Caxias, na tarde deste sábado, não foi apenas mais três pontos na tabela. Foi a confirmação de um planejamento que começa a ganhar forma, de escolhas que fazem sentido e, principalmente, de um Inter que sabe exatamente o que quer ser neste começo de ano. Com o resultado, o Colorado chegou aos 15 pontos, garantiu a liderança do Grupo A e avançou às quartas de final do Campeonato Gaúcho com a melhor campanha geral da competição.
O próximo desafio no Estadual já está marcado: o São Luiz, no Beira-Rio, em jogo único no domingo, dia 8 de fevereiro, às 18h. Antes disso, porém, o calendário impõe um teste de fogo. Na quarta-feira, o Inter encara o Flamengo, no Maracanã, às 19h, pela segunda rodada do Campeonato Brasileiro. Um daqueles jogos que não decidem título, mas dizem muito sobre o momento.
Desde o apito inicial no Centenário, ficou claro que Paulo Pezzolano segue fiel ao plano traçado pelo Departamento de Futebol. O técnico uruguaio voltou a mexer na equipe e apostou forte no Celeiro de Ases. Nada menos que seis atletas formados em casa começaram a partida: Anthoni, Alisson, Denis, Allex, João Victor e João Bezerra. Para completar o desenho, Villagra estreou como titular, enquanto Aguirre, Clayton, Juninho e Bruno Tabata fecharam o time.
O Caxias até tentou se impor no início, aproveitando um erro de arbitragem em falta não marcada sobre Denis, mas Anthoni apareceu bem quando exigido. O Inter respondeu com troca de passes, movimentação e chegadas perigosas, especialmente pelo lado direito, com Allex e Tabata buscando o jogo. O cenário mudou de vez aos 15 minutos, quando Maurício Ribeiro foi expulso após revisão do VAR por agressão clara. Com um a mais, o Colorado passou a enfrentar um adversário totalmente recuado, montado em uma linha defensiva pesada e disposto a parar o jogo na base da falta.
Mesmo assim, o Inter manteve a proposta. Criou chances, rondou a área, fez o goleiro trabalhar e mostrou maturidade para não se perder no jogo truncado. Pezzolano, atento, fez ajuste ainda no primeiro tempo, tirando Denis — já amarelado — para a entrada de Thiago Maia, que voltou a atuar após lesão e deu mais controle ao meio-campo.
Na volta do intervalo, novas mudanças: Pablo e Gustavo Prado entraram, oxigenando o time. O Caxias ainda assustou em bolas isoladas, mas o Inter já tinha assumido o controle emocional e territorial da partida. E foi assim que o gol saiu. Aos 12 minutos, Allex — símbolo da tarde — cruzou com precisão, Gustavo Prado apareceu como centroavante e testou firme para as redes. Um gol com DNA colorado, construído por quem conhece o clube desde cedo.
A partir daí, o jogo virou gestão. O Inter soube a hora de acelerar e, principalmente, de desacelerar. Criou mais chances, obrigou o goleiro adversário a trabalhar e neutralizou qualquer tentativa de reação. No meio disso tudo, mais um capítulo simbólico: a estreia de João Kempes, aos 16 anos, tornando-se o segundo jogador mais jovem a atuar pelo time profissional no Século XXI. Um detalhe que diz muito sobre o caminho que está sendo trilhado.
O apito final confirmou o que o jogo já mostrava. O Inter é líder, tem a melhor campanha, chega forte ao mata-mata e, mais do que isso, começa a criar uma identidade clara para 2026. Um time que aposta na base, respeita o processo, aceita rodar o elenco e entende que competir bem também é saber sofrer quando o jogo pede.
O Gauchão, que nesta edição mantém o formato de quartas de final em jogo único, exige regularidade e atenção total. E o Inter chega a essa fase com moral, organização e um elenco que responde. O Brasileirão rolando, o calendário apertado, mas o recado está dado: há método, há convicção e há futuro no Beira-Rio.
O Colorado segue. E segue com sentido.
Studio Mix Esportes