

A contagem regressiva acabou.
Depois de meses de expectativas, testes, observações e listas de convocados, as principais seleções do planeta realizaram seus últimos amistosos antes da Copa do Mundo. Foram os derradeiros ensaios antes do espetáculo começar. A última oportunidade para ajustes. A última chance para alguns jogadores convencerem seus treinadores. E, principalmente, o momento final para que torcedores e analistas tentassem responder a pergunta que acompanha cada Mundial: afinal, quem chega mais forte?
A resposta, pelo menos depois deste fim de semana, parece ser mais simples e ao mesmo tempo mais complicada.
Ninguém.
Ou melhor: ninguém chega sobrando.
Os amistosos mostraram uma Copa do Mundo extremamente equilibrada, onde as favoritas possuem qualidade suficiente para sonhar com o título, mas também apresentam problemas capazes de transformá-las em vítimas de qualquer adversário bem organizado.
Talvez esse seja o principal retrato do futebol atual.
As distâncias diminuíram.
Os sistemas táticos evoluíram.
As seleções consideradas médias estão cada vez mais preparadas.
E vencer já não é tão simples como era há algumas décadas.
O Brasil, por exemplo, derrotou o Egito por 2 a 1 e saiu de campo com sensações distintas.
Por um lado, Carlo Ancelotti viu sua equipe apresentar sinais claros de evolução. A pressão alta funcionou. O meio-campo teve intensidade. Bruno Guimarães comandou as ações e Endrick voltou a mostrar que pode ser uma das grandes armas da Seleção.
Por outro, o amistoso também deixou uma preocupação importante.
A lesão de Wesley.
O lateral-direito precisou deixar o campo ainda no primeiro tempo e acabou cortado da Copa do Mundo. Um golpe duro para um jogador que vivia o melhor momento da carreira e que era visto como peça importante dentro da estrutura montada por Ancelotti.
Nas redes sociais, a repercussão foi imediata. Torcedores lamentaram o corte e muitos jogadores demonstraram apoio ao atleta. Em meio à tristeza, surgiu também a convocação de Éderson, da Atalanta, uma escolha que mostra como o treinador italiano valoriza a força do meio-campo para enfrentar os desafios que estão por vir.
Enquanto isso, a Argentina fez aquilo que costuma fazer.
Venceu.
Sem espetáculo.
Sem goleada.
Sem precisar impressionar.
Os atuais campeões mundiais derrotaram Honduras por 2 a 0 e passaram a sensação de uma equipe madura, confortável dentro de seu modelo de jogo e consciente de suas virtudes.
É o tipo de seleção que não precisa convencer ninguém.
Ela apenas joga.
E continua ganhando.
A Alemanha também chamou atenção.
A vitória por 2 a 1 sobre os Estados Unidos mostrou uma equipe organizada, competitiva e capaz de suportar momentos de pressão. Os alemães talvez não apareçam com o mesmo destaque das últimas gerações, mas continuam sendo uma seleção que merece respeito em qualquer competição.
Afinal, a história ensina que ignorar a Alemanha em uma Copa do Mundo costuma ser um erro.
A Inglaterra venceu a Nova Zelândia por apenas 1 a 0.
E justamente por isso acabou sendo alvo de críticas.
A imprensa inglesa esperava uma atuação mais convincente. O resultado foi suficiente, mas a produção ofensiva ficou abaixo do esperado. Ainda assim, o elenco continua sendo um dos mais qualificados do torneio.
Portugal também venceu.
O 2 a 1 sobre o Chile mostrou uma equipe tecnicamente forte, mas que ainda busca maior regularidade. Quando consegue acelerar o jogo, poucos adversários conseguem acompanhar seu ritmo. O problema é manter essa intensidade durante os noventa minutos.
Entre as surpresas do fim de semana, a França talvez tenha sido a principal.
Derrotada pela Costa do Marfim, a seleção francesa deixou escapar uma oportunidade importante de chegar embalada para o Mundial. A reação nas redes sociais foi imediata. Torcedores demonstraram preocupação com a instabilidade apresentada pela equipe nas últimas partidas.
E quando se fala em favoritos, qualquer sinal de vulnerabilidade vira assunto.
A Espanha também não empolgou.
O empate diante do Iraque gerou questionamentos sobre a capacidade da equipe transformar posse de bola em oportunidades reais de gol. A impressão deixada foi a de um time organizado, mas que ainda busca soluções para ser mais agressivo ofensivamente.
A Holanda viveu situação semelhante.
A derrota para a Argélia serviu como alerta para uma seleção que continua sendo respeitada internacionalmente, mas que chega ao Mundial cercada de dúvidas.
Curiosamente, um tema dominou as conversas nas redes sociais durante todo o fim de semana.
Não foram os gols.
Não foram as vitórias.
Nem mesmo as derrotas.
Foi o equilíbrio.
Poucos enxergam hoje uma seleção claramente superior às demais.
Brasil, Argentina, Alemanha, França, Inglaterra, Portugal, Espanha e Holanda possuem qualidades suficientes para chegar longe.
Mas todas apresentam falhas.
Todas têm setores que precisam evoluir.
Todas carregam questionamentos.
E talvez seja exatamente isso que torna esta Copa do Mundo tão interessante.
Não existe uma equipe invencível.
Não existe um favorito absoluto.
Não existe uma seleção capaz de entrar em campo apenas com o peso da camisa.
Será necessário jogar.
Será necessário competir.
Será necessário superar adversários cada vez mais preparados.
Os amistosos terminaram.
As experiências acabaram.
Os treinadores já fizeram suas escolhas.
Os jogadores já receberam suas oportunidades.
Agora não existem mais testes.
Não existem mais ajustes de última hora.
Não existem mais desculpas.
A partir daqui começa a Copa de verdade.
E se os amistosos serviram como prévia do que está por vir, os torcedores podem se preparar.
Porque tudo indica que estamos diante de um dos Mundiais mais equilibrados e imprevisíveis dos últimos tempos.
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