

Ninguém pode dizer que foi surpreendido.
A dor foi grande. Como sempre é quando o Brasil cai em uma Copa do Mundo. A televisão continua ligada, mas parece que perdeu a cor. As redes sociais viram um tribunal. Os especialistas aparecem. Os culpados são escolhidos. E, de repente, todo mundo tem uma solução que não existia algumas horas antes.
Mas, desta vez, confesso que não consegui sentir surpresa.
Senti tristeza.
Porque esta foi uma daquelas tragédias que a gente vê sendo escrita capítulo por capítulo.
O roteiro estava ali.
Só fingimos que não estávamos lendo.
Durante quatro anos, a Seleção Brasileira viveu mais de expectativa do que de convicção. Esperamos um treinador. Depois esperamos um projeto. Em seguida esperamos que o talento resolvesse tudo.
Esperamos demais.
Trabalhamos de menos.
O futebol, porém, não costuma perdoar quem vive de esperança.
Ele recompensa quem vive de planejamento.
Enquanto isso, o Brasil seguia acreditando que bastava vestir a camisa amarela para intimidar o adversário.
Só que o mundo mudou.
Hoje ninguém entra em campo derrotado só porque está do outro lado da Seleção Brasileira.
Pelo contrário.
Hoje eles entram acreditando.
E, muitas vezes, melhor preparados.
Não perdemos para Haaland.
Nem para Nyland.
Nem para a Noruega.
Perdemos para uma ideia.
A ideia de que o nosso talento continuaria sendo suficiente para esconder nossas falhas.
Não foi.
Durante a Copa vimos lampejos de Vinícius Júnior.
Momentos de Neymar.
A explosão de Endrick.
A entrega de Casemiro.
Mas nunca vimos uma equipe.
E futebol continua sendo um esporte coletivo.
Talvez esse tenha sido o maior vazio desta Seleção.
Ela tinha jogadores.
Mas demorou demais para se transformar em um time.
Há uma imagem que ficará comigo.
Bruno Guimarães caminhando para cobrar aquele pênalti.
Ainda estava 0 a 0.
Era o momento de colocar o Brasil na frente.
Ali, talvez, estivesse o destino da partida.
Nyland defendeu.
Alguns vão dizer que foi apenas um pênalti perdido.
Discordo.
Foi o símbolo de uma Copa inteira.
Quando surgiu a oportunidade de assumir o controle da história, o Brasil hesitou.
E Copa do Mundo não costuma oferecer uma segunda chance.
Depois veio Haaland.
Dois gols.
Dois golpes.
Dois lembretes de que eficiência vale mais do que volume de jogo.
No fim, Neymar marcou.
Bonito.
Tarde demais.
Há um velho ditado que diz que algumas mortes acontecem muito antes do último suspiro.
Com esta Seleção foi assim.
Ela não morreu quando o árbitro encerrou o jogo.
Nem quando Haaland marcou.
Nem quando Bruno perdeu o pênalti.
Ela foi morrendo lentamente durante um ciclo inteiro em que o improviso ocupou o espaço do planejamento.
Cada troca de rumo.
Cada decisão adiada.
Cada projeto interrompido.
Cada vez que acreditamos que o talento resolveria aquilo que deveria ter sido construído com trabalho.
Tudo isso foi tirando um pouco da força daquela camisa.
E dói escrever isso.
Porque continuo acreditando que nenhuma seleção do planeta produz tantos talentos quanto o Brasil.
O problema nunca foram os jogadores.
Talvez nunca tenha sido.
O problema é que continuamos entregando diamantes para uma máquina que insiste em funcionar como se ainda estivéssemos em 1970.
O futebol acelerou.
Nós continuamos olhando pelo retrovisor.
O mais triste é saber que daqui a alguns dias tudo volta ao normal.
O Campeonato Brasileiro recomeça.
A Copa vira lembrança.
Os debates esfriam.
As promessas de mudanças aparecem.
E, pouco a pouco, a indignação vai sendo substituída pela rotina.
Até chegar 2030.
E aí, mais uma vez, diremos que agora vai.
Espero, sinceramente, estar errado.
Espero que essa eliminação tenha servido para alguma coisa.
Porque, se ela não provocar mudanças profundas, então não terá sido apenas uma derrota.
Terá sido somente mais um capítulo de uma história que insiste em se repetir.
E ninguém merece assistir, pela sexta Copa seguida, à mesma crônica de uma morte anunciada.
Robert Abel
Rádio Studio Mix Esportes
Studio MIX Esportes RW3R
Parceiros Comerciais:
Proart Marketing e Vendas
Corote
Dipebor
Aapecan Santa Cruz Do Sul
DGP - Assessoria em Gestão Pública ( Daniel Gomes Pereira)
Super Camponês
Cervejaria Reisen Bier
Banca da Serra Armazém
Nando Barth - Assistência em Informática